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Dermatologia e Psicologia

Category: Tratamento Estético Comentários: 0

A Psicodermatologia é uma área que vem estudando e integrando o trabalho de médicos e psicólogos na tentativa de um melhor entendimento das doenças da pele.

                 Vivemos uma época de supervalorização da estética e da beleza, quando qualquer doença crônica produz nos seres humanos uma vivência negativa propiciada pela expectativa de sofrimento. Assim sendo, as doenças da pele são um desafio à autoestima.    

                 A Psicodermatologia é uma área que vem estudando e integrando o trabalho de médicos e psicólogos na tentativa de um melhor entendimento das doenças da pele. A pele é o primeiro meio de contato com o mundo externo, além de um importante meio de manifestação de conflitos e emoções. A pele é um suporte de manifestações simbólicas e culturais, uma interface entre o indivíduo e o ambiente, funcionando como substrato para o exógeno e o endógeno, o físico e o psicológico. Um vínculo importante que desempenha é a conexão existente entre os distúrbios emocionais e as doenças que acometem a pele, mostrando processos e reações psíquicas em geral, tais como o rubor e a sudorese. Ao mesmo tempo que nos protege é a fachada que nos expõe. A pele é o envelope do corpo, assim como este envelopa o psíquico.

               São muitas as funções da pele:

  • Base dos receptores sensoriais, localização do mais delicado de todos os sentidos, o tato;
  • Fonte organizadora e processadora de informações;
  • Mediadora de sensações;
  • Barreira entre organismo e ambiente externo;
  • Camada protetora das partes situadas abaixo dela contra efeitos da radiação e lesões mecânicas;
  • Barreira contra material e organismos estranhos;
  • Reguladora da temperatura corporal; Reservatório de alimento e água;
  • Sintetizador de vários compostos importantes  como a vitamina D, responsável pelo controle da osteoporose;
  • Barreira ácida que protege contra muitas bactérias.

              A influência dos fatores psíquicos sobre o aparecimento das doenças dermatológicas ainda é pouco estudada. Atualmente estima-se que um terço dos pacientes com doença dermatológica possua aspectos emocionais associados. O início e o curso das dermatoses podem ser significativamente influenciados por estresse, distúrbios emocionais e transtornos psiquiátricos. As ligações existentes com o sistema nervoso tornam a pele altamente sensível às emoções, independente da consciência. A pele expressa os sentimentos, mesmo quando não se está ciente deles, e ajuda a aprender e conhecer mais sobre o ambiente.

             A medicina se esforça para sanar determinado desequilíbrio físico, atenuando muitas vezes apenas os sintomas físicos do paciente, que enfrenta inúmeras dificuldades e insatisfações na convivência com uma doença crônica. Nesse contexto, surge a necessidade de buscar um entendimento complementar e mais profundo do melhor manejo do desequilíbrio físico e mental crônico. A possibilidade da compreensão mais ampla do ser que adoece pode surgir de um esgotamento dos tratamentos tradicionais ou de uma consciência mais abrangente dos profissionais de saúde. Assim, a pessoa pode passar a ser vista não só como um corpo físico, mas também constituída de outras dimensões, como a psíquica, a social, a econômica e a cultural, as quais estão interconectadas e podem igualmente afetar o equilíbrio do estado de saúde e doença.

           “Saúde é um estado de completo bem estar físico, mental, social e não apenas a ausência de doença”. 

Conteúdo por: Drª Ana Paula Nicola